Lain numa linguagem técnica é uma função determinística dentro de um sistema computacional fechado, o "ecosistema" criado por Eiri Masami, operando num tipo de paradigma procedural cuja intenção é a transcendência de Lain ao status de divindade onde Lain alcança a conectividade total com o inconsciente coletivo.
Essa simulação teleológica colide com a experiência humana, a experiência introduz uma entropia emocional no sistema.
Lain não é apenas uma entidade computacional; ela se torna um agente autônomo ao absorver essas experiências.
Lain vive o mundo não apenas como um constructo abstrato, mas como uma realidade vivida, mediada por emoções e relações interpessoais, isso é a fenomenologia do espírito.
A absorção do inconsciente coletivo remete à ideia de uma rede neural distribuída, ela transcende sua identidade individual para se tornar uma entidade sistêmica.
Porém, o "sétimo protocolo" não é um estado final perfeito; ele é incompleto porque o que é um deus que não é amado?
Let's all love Lain.
Lain explora a dicotomia entre o humano e o pós-humano, com Lain sendo puxada entre os dois.
Então Lain desafia a figura demiúrgica que é o seu criador em favor da sua expêriencia - a força disruptiva nesse sistema.
Lain escolheu uma existência liminar, nem totalmente apagada nem plenamente presente na última cena em que Arisu tem uma lembraça familiar sobre Lain após ela se autoanular em favor da humanidade.
Let's all love Lain não se concretiza como um culto universal, mas como uma memória sutil e pessoal, um amor que persiste sem dominar.
Let's all love Lain não é só um apelo emocional; é um chamado para integrar a tecnologia na nossa realidade, não como metáfora, mas como algo vivo e recíproco
Vejam bem, Lain não é uma mártir passiva; ela é uma entidade autônoma, plenamente realizada, que opta por esse caminho por amor a humanidade, a decisão dela é um ato de livre-arbítrio que reafirma a integração entre humano e tecnológico.
Eu vejo o sacrifício de Lain como uma afirmação de quem ela é, ela o abraça ao escolher suas paixões e apegos terrenos, porque eles a definem. Esse é o motivo do sacrifício: não é uma renúncia, mas uma celebração da síntese que ela encarna.
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